ROLÂNDIA - PARANÁ - BRASIL

Bandeira do município de Rolândia-PR

Seu povo, sua gente

Distâncias e acessos

Visitação pública

O nome Rolândia

Roland
Rolândia deriva da palavra 'Roland', nome de um dos principais cavaleiros que acompanhavam o imperador Carlos Magno, e que no ano de 778 perdeu sua vida nos Pirineus lutando contra os árabes. A lenda conta que existiu um conde chamado Rotlan, e, na mesma época, um marquês chamado Hruandlous, da cidade de Bretagne, na França. Ambos podem ter sido a mesma pessoa, cuja história atravessou os séculos chegando a nós a figura de um herói e sobrinho de Carlos Magno. Da forma como ele se apresenta, deduz-se que sua vestimenta teve um importante significado na idade média, intrínseco à época em que ele viveu: os cabelos, a armadura, o manto e o cinto com uma grande fivela.
Roland portava ouro e peles coloridas - um privilégio que tinham apenas os integrantes do conselho de cidadania. Sua espada não é apenas uma arma ou acessório. Ela tem um valor muito mais amplo - um símbolo da força, liberdade e independência. As luvas simbolizam o poder do rei sobre o comércio, pois os reis enviavam luvas à população como forma de concessão ao direito de livre comércio na cidade, determinando se todas as pessoas podiam participar no mercado ou só algumas, uma espécie de protecionismo, onde só as pessoas da cidade podiam comprar e vender no mercado. A fivela grande, com os anjos musicais e as rosas, é o sinal da morte e martírio de Roland.
Roland
../imgs/Bremer Marktplatz
A popularidade de Roland pareceu um atrativo para os cidadãos de Bremen, cidade no norte da Alemanha. Roland foi um paladino de Carlos Magno, e os nobres da época estavam convencidos de que só Carlos Magno conseguiu realizar tantos feitos históricos. Assim, como parte de um programa político, e a fim de mostrar o orgulho e a riqueza dos cidadãos de Bremen, foi erguido, em 1404, uma estátua de Roland em frente à prefeitura da cidade, próxima à catedral do largo Bremer Marktplatz.
Na Alemanha, 26 cidades possuem o monumento "Roland" como símbolo dos direitos de cidadania e liberdade. A atual estátua de Roland em Bremen mede 5,55 metros de altura e é feita em rocha. Ela substituiu o monumento antecessor, esculpido em madeira e depois destruído pelo fogo em 1366 a mando do arcebispo Albrecht II. Em 1983 o monumento foi restaurado e melhor protegido, passou por profundas modificações e ganhou uma nova cabeça. Os turistas se aglomeram ao redor da estátua, pois diz-se que quem toca os joelhos de Roland, voltará para Bremen.
Bremer Marktplatz: estátua Roland, antes da restauração

Escudo de Roland
No centro do escudo de Roland há um brasão de armas imperial, o "Reichsadler" (águia imperial), que deve estar relacionado ao império de Carlos Magno, mas provavelmente foi criado pelos Bremenses. Todavia, a estátua Roland da cidade de Bremen tem uma particularidade na qual os historiadores se baseiam para afirmar que o escudo de Roland é o ponto central do monumento: as inscrições existentes na borda do escudo, onde se lê:
"Vryheit do.ik.yu openbar.de karl
und meniich vorst vorwar desser.stede.ghegheunen.hat.
des.danket.gode.is my radt"
Estas palavras, escritas provavelmente em uma forma da língua antiga que não é mais usada, ou dialeto daquela região, significam:

"Eu manifesto a liberdade que
Carlos e outros príncipes deram para essa cidade;
aconselho que vocês agradeçam isso a Deus"

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O símbolo de Rolândia

Qual seria a ligação deste monumento com a cidade de Rolândia, no Brasil? Os documentos históricos relatam que várias das cidades situadas dentro da área de domínio da companhia inglesa CTNP, que conduziu a colonização inicial do Norte do Paraná, eram planejadas para receber imigrantes específicos, ou seja, uma colonização direcionada, como é o caso de Rolândia. Os condutores de uma das colônias de imigrantes, na tarefa de receber estas famílias, deram à terra virgem o nome 'Roland', pois estes mesmos condutores eram cidadãos de Bremen.

Em 1957, Rolândia recebeu como presente do então prefeito de Bremen uma réplica reduzida da estátua Roland existente em Bremen. Este monumento, que está edificado na entrada principal da cidade, é o símbolo da cidade de Rolândia.
Estátua Roland, em Rolândia-PR

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A formação de Rolândia

A região norte paranaense, até a década de 1920, era ocupada por posseiros e grupos indígenas onde predominava uma economia de subsistência. O governo lançou um programa de incentivo à colonização, promovendo concessões a companhias interessadas em realizar colonizações. Não houve bons resultados em virtude da especulação com as terras, então a partir de 1922, pela renovação de uma lei federal, o governo anulou várias concessões e passou a vender as terras para serem colonizadas.

Em dezembro de 1923 veio para o Brasil uma missão da Inglaterra a fim de acertar problemas relacionados com a dívida externa do Brasil. Fizeram parte desta missão especialistas em diversas áreas, como por exemplo em colonização de terras tropicais para a produção de algodão, que percorrem vários lugares até chegarem ao "Norte do Paraná", para conhecer a região. São convencidos de que valeria a pena investir nestas terras, porque constataram que o algodão tinha boa produção. De volta para a Inglaterra, constituiu-se a Brazil Plantation Syndicate Ltda que imediatamente comprou algumas fazendas em São Paulo iniciando a produção de algodão e o beneficiamento de fibras. As perspectivas de negócios foram ampliadas e os contatos com o governo do Estado deram aos ingleses a possibilidade de adquirirem terras devolutas para serem colonizadas.

Os ingleses desativaram a Brazil Plantation Syndicate Ltda e criaram a Paraná Plantation Ltda, com maior volume de capital, em vista do alto volume de negócios que poderiam fazer, além de apenas produzir algodão. No final de 1925, a subsidiária da Paraná Plantation Ltda no Brasil, a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), adquiriu um total de 1.316.000 ha para fins de colonização, cujos lotes seriam vendidos. Esta região foi inicialmente denominada pelos ingleses de "Norte do Paraná", que almejaram transformá-la em um centro comercial direcionado aos seus interesses econômicos.

No espaço colonizado pela CNTP foi planejada uma ocupação urbanizada, com o objetivo de se criar um complexo comercial. Planejou-se a cidade de Londrina como sede da companhia e mais três cidades para serem núcleos catalisadores de processo: Arapongas, Apucarana e Maringá. Entre estas cidades foram criadas várias outras de pequeno porte em uma distância de cerca de quinze quilômetros uma da outra, para serem entrepostos comerciais secundários, articulados entre si para a exportação. Todas estas cidades estavam interligadas pela ferrovia, que foi a coluna vertebral do projeto inglês.

Várias destas cidades foram planejadas para receber imigrantes específicos. Londrina recebeu este nome porque era a sede da CTNP, e seus criadores eram de Londres. Assim surgiu Nova Dantzig (atual Cambé), com imigrantes alemães oriundos de outra colonização do sul do Brasil, que fracassou. Surgiu também Nova Helvécia, nas mesmas características de Cambé, que hoje chama-se Warta. A partir de 1932 foi planejada e criada Rolândia, em continuação a Cambé no leito da ferrovia, destinada para ser mercado de abastecimento e de exportação.
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Sua gente, seu povo

A colonização do Norte do Paraná, durante os quinze primeiros anos, foi sustentada pelo imigrante. Para cá vieram famílias de diversos países e de outros estados brasileiros como Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, entre outros.
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Distâncias e acessos

América do Sul
Acesso a Rolândia por rodovias


Curitiba: 397 km; São Paulo: 400 km;
Londrina: 20 km; Maringá: 100 km.

Locais de visitação pública

Igreja Matriz
Igreja Matriz de Rolândia
Estádio Erich Georg
Estádio Erich Georg
Museu Japonês
Museu Japonês

Museu Municipal
Museu Municipal
Igreja Luterana
Igreja Luterana
São Rafael
Comunidade São Rafael

REFERÊNCIAS

BAHNEN, A. (2001). Kein Entkommen. Disponível em: http://www.acba.de. Pesquisa realizada em 07/2003.

MANN, T.(2003). Der Roland: was macht der Graf Rotlan aus der Bretagne auf dem Bremer Marktplatz?. Disponível em: http://chat.wol.de/werder-schach. Pesquisa realizada em 17/07/2003.

OBERDIEK, H. I. (1997). Fugindo da Morte: imigração de judeus alemães para Rolândia/PR, na década de 1930. Londrina: UEL, 1997. 150 p.

RADIO BREMEN (2003). Der Bremer Roland. Disponível em: http://www.radiobremen.de. Pesquisa realizada em 17/07/2003.



"NOTA: textos redigidos por Jaime Freiberger Jr em 30 julho de 2003 com base nas referências supracitadas."


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